Quatro formas de testar a eficácia de biológicos no tratamento de sementes

Biológicos são organismos vivos, e uma boa taxa de sobrevivência quando aplicados em uma calda para tratamento de sementes é fundamental para o sucesso. Carlos Oliveira Silva analisa quatro formas recomendadas de realizar esses testes e discute a interpretação adequada dos resultados, com o objetivo de apoiar decisões técnicas bem fundamentadas.

No contexto de precisão na aplicação e sustentabilidade, o tratamento de sementes é uma técnica de alto valor para o uso de produtos biológicos. As condições sob as quais esses produtos são utilizados podem ser controladas, o que é determinante para o desempenho do princípio ativo biológico no tratamento. A aplicação direta sobre a semente garante que o ingrediente ativo permaneça apenas na área onde é necessário. O biológico ou o produto fitossanitário permanece próximo às raízes, protegendo as plantas em desenvolvimento e permitindo que o biológico, por exemplo, aumente a resistência da planta a estresses abióticos e contribua para o rendimento. No entanto, como biológicos são organismos vivos, um fator crítico para o sucesso é a compatibilidade entre o biológico e os componentes da calda.

Quatro métodos de teste para biológicos

1. Método da Zona de Inibição (teste de Kirby‑Bauer)


Trata‑se de uma forma rápida e simples de avaliar como diferentes componentes da calda de tratamento de sementes afetam microrganismos. É amplamente utilizado em laboratórios devido à sua simplicidade e é especialmente útil para identificar, de forma rápida, quais componentes da calda podem ser utilizados em conjunto com produtos biológicos. A limitação do método é que ele não confirma se o componente elimina o microrganismo ou apenas interrompe seu crescimento, além de fornecer apenas resultados visuais.

Exemplo de resultado do método de Kirby‑Bauer avaliando os efeitos de diferentes componentes sobre Bacillus sp. em meio ágar Mueller‑Hinton (MHA).

Exemplo de resultado do método de Kirby‑Bauer avaliando os efeitos de diferentes componentes sobre Bacillus sp. em meio ágar Mueller‑Hinton (MHA). A representa a amostra controle, composta apenas por água esterilizada; B indica um efeito negativo leve; e C indica um efeito negativo severo.

Figura 1: exemplo de resultado do método de Kirby‑Bauer avaliando os efeitos de diferentes componentes sobre Bacillus sp. em meio ágar Mueller‑Hinton (MHA). A representa a amostra controle, composta apenas por água esterilizada; B indica um efeito negativo leve; e C indica um efeito negativo severo.


2. Método da Unidade Formadora de Colônias (UFC)


Esse método consagrado estima o número de células vivas, bactérias ou fungos, em uma amostra, com o objetivo de determinar a concentração de microrganismos e sua capacidade de formar colônias em condições ambientais específicas. É de execução simples, fornece resultados em poucas horas e é amplamente utilizado para verificar a vida útil de produtos biológicos durante processos de registro. No entanto, como uma colônia pode se originar de uma ou mais células agrupadas, os resultados são apenas estimativas. Células viáveis que se agregam podem ser contadas como uma única colônia, o que pode levar a dados imprecisos sobre o número real de células viáveis. Por esse motivo, os resultados são expressos em UFC por mililitro ou por grama, e não em células por mililitro ou por grama.

Resultados obtidos pelo método de unidade formadora de colônias (UFC).


Nesta imagem observa‑se a compatibilidade e a incompatibilidade de diferentes colônias em calda contendo Trichoderma asperellum após três dias de incubação em meio ágar batata‑dextrose, a 25 °C.
Figura 2: nesta imagem observa‑se a compatibilidade e a incompatibilidade de diferentes colônias em calda contendo Trichoderma asperellum após três dias de incubação em meio ágar batata‑dextrose, a 25 °C.




3. Método de Germinação de Conídios (método direto de viabilidade)


Esse método é específico para esporos fúngicos, os conídios. Em comparação com os métodos de Kirby‑Bauer e de UFC, fornece informações mais precisas sobre a proporção de conídios viáveis em uma amostra. Também permite identificar conídios germinados, não viáveis ou ativados, porém ainda não germinados. É possível obter dados detalhados sobre como os componentes afetam a sobrevivência dos fungos, isoladamente ou quando combinados em formulações ou caldas de tratamento de sementes. Os resultados são obtidos em poucas horas e o método permite avaliar efeitos de médio e longo prazo de diferentes componentes.

Uma das limitações desse método é o tempo necessário, principalmente durante as avaliações, que exigem o uso de um microscópio óptico equipado com câmera de alta definição. Além disso, é necessário controle rigoroso das condições ambientais durante a incubação, pois variações de temperatura nessa fase podem influenciar significativamente os resultados.

Resultados obtidos pelo método de germinação de conídios para Trichoderma asperellum após 15 horas a 25 °C em meio ágar batata‑dextrose.

Resultados obtidos pelo método de germinação de conídios para Trichoderma asperellum após 15 horas a 25 °C em meio ágar batata‑dextrose.
Figura 3: resultados obtidos pelo método de germinação de conídios para Trichoderma asperellum após 15 horas a 25 °C em meio ágar batata‑dextrose.



4. Novo método PrecisionBio™ da Croda

Quanto mais dados estiverem disponíveis, mais simples se torna a tomada de decisão sobre qual calda é mais adequada quando um biológico está incluído.


Ao avaliar a viabilidade de conídios em caldas de tratamento de sementes, é importante considerar não apenas a capacidade de germinação, mas também o vigor dos conídios, que influencia diretamente sua eficácia como ingrediente ativo. Esse método é complementar ao método de germinação de conídios. Alguns produtos podem afetar especificamente esse vigor e comprometer o desempenho do fungo após o uso. Para essa avaliação, a Incotec, juntamente com sua empresa controladora Croda, desenvolveu o PrecisionBio™, um software que processa as mesmas imagens obtidas por microscopia óptica no método de germinação de conídios e avalia o vigor dos conídios ao longo do tempo. O sistema gera informações adicionais de forma prática sobre os efeitos da calda nos conídios. Com mais dados sobre o comportamento dos conídios, torna‑se possível tomar decisões mais seguras sobre qual calda utilizar com o princípio ativo biológico e reduzir o tempo necessário em estudos comparativos.

Gráfico demonstrando o vigor dos conídios em uma calda de tratamento de sementes, com dados originados do software PrecisionBio™.

Como exemplo, a área sob a curva do vigor dos conídios foi calculada a partir de dados gerados pelo software PrecisionBio™. Cada coluna identificada por uma letra diferente apresenta diferença estatística, de acordo com o teste de Dunnett, com α igual a 0,05.

Gráfico: como exemplo, a área sob a curva do vigor dos conídios foi calculada a partir de dados gerados pelo software PrecisionBio™. Cada coluna identificada por uma letra diferente apresenta diferença estatística, de acordo com o teste de Dunnett, com α igual a 0,05.



A coleta de informações detalhadas sobre o efeito dos componentes da calda na sobrevivência de produtos biológicos é fundamental. Esse conjunto de dados permite selecionar a calda mais adequada quando um biológico está incluído.

Isso se torna especialmente relevante porque não existem valores padronizados para a concentração de produtos biológicos no tratamento de sementes. Utilize sempre todas as informações disponíveis sobre o produto biológico que pretende utilizar. A Incotec reúne ampla experiência nesse tema e está à disposição para apoiar esse processo. Para mais informações, entre em contato conosco. 

Publicado
  • Carlos Eduardo Oliveira da Silva Lead Researcher, Incotec Brazil
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